sábado, abril 05, 2008

A força de uma vida

No mesmo hospital, em menos de um mês, outro caso de maus-tratos. Está internada uma menina de quatro anos, que pesa apenas sete, sendo que o ideal seriam 16 quilos. A criança foi internada com diárréia e vômitos, e não se alimenta pela via oral, apenas por intermédio de uma sonda. Os pais, alcoólatras, não a alimentavam, e impediam qualquer um de chegar perto. Depois de uma denúncia, quando o conselho tutelar entrou na casa, a menina estava toda suja, e não conseguia mais chorar, apenas grunia.

Nunca iriam escutá-la. Os pais saiam e deixavam o som em alto volume. Outro detalhe: A menina nunca mais vai ter condições de andar, e está com o seu desenvolvimento comprometido. E não tem com quem ficar. Que futuro podem ter? Não seria melhor desistir? Não seria mais fácil? Mais do que o próprio exercício diário de sobrevivência, estas crianças já nascem levando "porrada" da vida. Infelizmente aprendem na marra, motivada pela irresponsabilidade, e loucura de quem deveria ter a obrigação, não apenas de cuidar, mas de educar.
Estas crianças podem nos instigar muito mais do que o sentimento de revolta. Elas ensinam o que a maioria das pessoas aprendem, muitas vezes, depois de adulto. Que a realidade não é justa. E que chega em um momento em que se deve aprender a andar sozinho.O fato destas crianças continuarem a respirar ensina que a luta deve ser diária. Se elas, que não possuem condições de se defenderem da loucura do mundo, continuam. Porque deveríamos desistir?
Quando se chega perto do palco, os defeitos ficam mais visíveis. Os predestinados a vencer, muitas vezes, se incomodam diante da vida, sempre acostumados a serem servidos. E pensam, muitas vezes, que o destino o escolheu como o novo predestinado. Assumem assim uma posição de arrogância, e de menosprezo em relação à vida. Tudo, para eles, se torna banal. Mal sabem que existem pessoas, que de tantas dores, sofrem com o mínimo sinal de respiração, e que as batidas do coração se elevam a cada movimento. Apenas a procurar a felicidade onde elas podem alcançar: a própria vida.
Foto: Luís Tito - Agência A Tarde

segunda-feira, março 31, 2008

Quando encontro o destino

Estava na biblioteca, e me deparei com um livro chamado Notícias do Fantástico, de Luiz Gonzaga Mota. Antes que pensem que fala do programa dominical da Globo, esqueçam. Na verdade, o pesquisador analisa as notícias que fogem das bases empíricas racionalistas, aquelas sem explicação científica. Ele pretende provar que com as notícias que lidam com o insólito, com o fantástico, os jornalistas deixam perpassar em seu conteúdo uma maior subjetividade.

Não é disto que eu quero falar. Estou querendo falar de destino. Enquanto lia o livro, me deparei como um trecho, em que o autor tenta explicar o que é o fantástico. Ele justamente tenta fazer isto, ao dizer que é tudo que sai do cotidiano. Aquilo que não se prevê, mas que
em determinado momento pode mudar as nossas vidas. "O ser humano está em submetido à sensibilização cósmica mas, por outro lado, sentimos e conduzimos a nossa existência a partir de um centro próprio".

Esta foi justamente aquele trecho que me deixou intrigado. Fiquei horas pensando. Se existe algo que rege a nossa vida, uma força maior, algo que nos leva como uma nuvem, ou um vento forte, que nos empurra para a frente, qual seriam aqueles momentos que nos fazem mudar radicalmente o sentido das nossas vidas, que possam mudar o nosso destino? Comecei a pensar em algumas situações.

Quando eu sai de Barreiras, além de estudar e ter uma oportunidade de conhecer outras cidades, eu queria esquecer um grande amor. Hoje, isto parece uma besteira. Mas quando eu tinha 17 anos, aquela viagem parecia ser a salvação, uma oportunidade de fugir. Mal sabia que aquela decisão mudaria a minha vida. Não sei se morar em Goiânia estava escrito. A vontade de fugir me fez simplesmente parar lá.

Novamente, já estava com aquele mesmo sentimento daquela época. Sabe aquele sentimento de só querer fugir. E quando eu olhava em volta, estava tudo certo. Era algo diferente. De repente, recebo uma proposta para trabalhar em Barreiras, cidade onde nasci, depois de formado. Algo dizia que eu teria que vir. Apesar do calote que eu levei no trabalho (já estou cuidando do caso), consegui arrumar outro emprego. Sinto que era aqui que eu deveria está agora.

Apesar das dificuldades, não houve um segundo que pensei diferente. Está aqui era o meu destino, e vou fazer o melhor que eu puder, até que venha o próximo desafio. Sinto-me realizado por estar perto da minha família, dos amigos que venho conquistando, e dos meus trabalhos. Espero que na oportunidade da próxima viagem, esteja preparado, e saiba identificar, quando me ocorrer um acontecimento para mudar o meu destino. E que sempre seja para melhor.

Ps: Queria agradecer a Mary. Também pensei em vcs esta semana. Em toda o apoio que me deram quando precisei, e também ao João Camargo Neto, que aproveitou a ilha de Saint Simon Beach, e à grande companhia da Milva (ehehehhehe). O Eduardo já é de casa. Abraço a todos.

sexta-feira, março 14, 2008

Lost

Porque nem sempre tudo dá certo ao mesmo tempo? Sempre tem alguma coisa para angustiar e chatear as nossas humildes vidas. Não sou o tipo de cara que gosto de me preocupar. Porque já sou assim na essência. Quero passar a minha vida sem ter uma gastrite. Para isto faço tudo certinho. Por quê não fazem o mesmo? Quando eu faço um trabalho, gostaria de receber, de preferência em dia. Quando pago uma conta no bendito caixa eletrônica, quero que realmente seja paga. Quando não encho o saco de ninguém, quero que também não encham o meu.

Poderia ser simples, mas não é bem assim. Sei que apesar de estar em casa, deitado na cama, às vezes penso estar no meio de uma guerra fria. As bombas, numa mínima descontração, podem sair do imaginário subconsciente, e passaram a atacar os meus neurônios. Muitas vezes me sinto sem ação, perdido, e como gosto de pensar antes de agir (prá quê fui ler Descartes na faculdade?).

O fato que me sinto dentro de uma ilha belíssima, como no seriado Lost, mas sempre com a ronda do medo. Inclusive medo de achar a saída. Falando nisto, estou assistindo a série, isto quando não me acordam no meio da noite. Continuo sem entender muitas coisas. Já desisti. Só tô acompanhando mesmo. Quando chegar no fim da série, não vou dizer que já sabia, mas com certeza, vou dizer. "Só isto?". Espere que não me pense, e me preocupe tanto, para dizer isto da minha vida.

Abraços ao casal 20, Rodrigo e Erika. Parabéns pelos dois anos de namoro. Saudades de ser vela, de ir ao cinema com o casal. Mesmo que me peçam para fazer um texto depois. Risos.

sábado, março 08, 2008

É um sábado. Não tô a fim de fazer nada. Apenas deitar na cama e pensar na vida. Isto é sintomático, como diz a filosófa e amiga Lucimeire Santos.

sexta-feira, março 07, 2008

Método do objeto problemático

É difícil assumir. Esta semana poderia não existir no calendário. Nada contra o ano bissexto. Apenas a lua em netuno não ajudou definitivamente a minha semana. Já passei por piores. O eclipse deve ter atrapalhado. Esta talvez fosse a diferença. Neste dia, talvez, a escuridão atrapalhou a luz a entrar no meu quarto. Fiquei com vontade de desistir de tudo. Pegar um ônibus, e ir para o lugar mais longínquo. Está bem, se eu pagar as minhas contas mais urgentes, posso talvez chegar a Lençóis, na Chapada Diamantina, ou então mudar-me para o sertão da Piauí, bem no meio dele, onde parece não existir nada, só sequidão e poeira.

Já conheço o bastante da vida para saber que os meus problemas são ridículos. Admita. Não precisa criar uma tempestade num copo d´água. O eclipse parece continuar. Vou utilizar as minhas artimanhas pseudo-filosóficas. Vamos à receita:

- Pegue todo o objeto (no caso o problema), e veja-o em todas as dimensões;
- Tente dividir o problema em partes menores, a depender do seu tamanho. Caso ele não queria se dividir, estude-o mais;
- Depois de dividido, amasse o objeto durante duas horas, e depois deixe-o descansar;
- Neste entremeio, relaxe, tome uma ducha, assista aqueles programas idiotas, tipo Márcia Goldscmith, ou a Regina Volpato, para tentar simplificar o seu objeto. Case não dê certo, ligue a tv na Record à noite, naquele programa religioso, é cada objeto problemático;
- Perceba o objeto de forma simples;
- Pela manhã, acorde, lave o rosto , e escove os dentes, e vá ao problema. Amasse mais um pouco. Unte o objeto e ponha no forno microondas durante meia hora para assar;

Pegou a receita. Fácil não. Seria fácil, se fosse tudo resolvido desta maneira. Vou escutar umas músicas da Legião Urbana, ou então do Paralamas do Sucesso, para tentar animar o meu espírito. Desta forma, quem sabe, não saia logo na porrada com o pseudo-objeto filosófico, e acerte definitivamente os problemas com ele. Vale rolar no chão, enforcamento, chute nos peito, e umas voadoras na cabeça. Chega de lidar com os problemas de maneira intelectual. Tem objeto, que só mesmo, voltando aos tempos do cangaço. Precisa ser na base da pecheira, e resolver o problema no dente. Na base do bater... ou correr... Ou os dois ao mesmo tempo.

domingo, março 02, 2008

"Arrebatado" por Alicia Keys


Já assisti a duas temporadas de OC- Um estranho no Paraíso e mais duas de Lost. Quando, no auge da empolgação, tinha agendado para comprar a 1ª temporada de House, a vontade de ir na locadora passou, e de assistir aos seriados de forma compulsiva também. Agora acompanho apenas as temporadas das séries na tv aberta. Uma droga. Admito!! Nunca sei se estão encurtando as edições. Ou quando as edições se resvalam no meu sono, no caso de lost, ou quando estou com sede, e fico mais tempo na cozinha no caso das outras séries.

Agora o meu vício de momento é ouvir discografias inteiras de cantores, ou baixar cd´s e ouvi-los inteiro. Já foi Back to Black, da Amy Winehouse (ganhadora do grammy este ano. Realmente ótimo. Destaques para a badalada "Rehab", "Me and Mrs. Jones", "You know I´m not good" e "Just friends"), Cídia e Dan (aquele casal do Fama, que trouxe uma deliciosa coletânea de duetos, de consagradas músicas, como "Back at one", "Ain´t no mountain high enough", "you´ve got I friend", "the time of my life", e uma inédita tão ótima quanto os clássicos "love obeyed") e as trilhas sonoras de Moulin Rouge e Um lugar chamado nothing hill.

Nestas imersões musicais descobri tardiamente a cantora Alicia Keys. Puxa!!! Tô apaixonado. Fã de verdade. Até entrei em lista de discussões. Ela já ganhou 11 grammys, sendo que dois foram este ano pela canção "No One", do atual CD "As I am". Na apresentação do Grammy deste ano, Alicia interpretou em dueto virtual com Frank Sinatra, a canção "Learning the blues", e depois voltou aos palcos para apresentação de "No One", com a participação de Jonh Mayer. Um pouco mais pop do que os antigos cds, mas com a mesma alma de cantora que sabe o que quer. Todo o cd com ótimas canções, que ao som do seu piano, eleva a alma. As letras parecem sussuros que entram aos poucos. Quando se vê, já foi arrebatado.

Depois de "No One", está tocando nas rádios "Like you never see me again". O clipe já pode ser conferido no you tube http://www.youtube.com/watch?v=L-WZG-y2e9k. Segundo uma lista de discussões, a próxima pode ser "Wreeckless love" ou "Lesson Learned", com participação do Jonh Mayer". A minha preferida, música e letra, por enquanto é "Tell you something". Alicia canta e toca com a alma. Vê-la tocando e cantando músicas como "If I Ain´t got you" http://www.youtube.com/watch?v=rwfSK9Ru5iM (apresentação perfeita no Grammy 2005), "Falling" ou "Diary", "Wild Horses" (com Adam Levine) é assistir um artista compondo arte na indústria fonográfica.

Às vezes, parece que toca para quem está do lado, sem o mínimo esforço. Ela dedilha aquele piano, como se estivesse na sala de estar, tocando para os amigos. Fazia tempo que não sentia isto ouvindo música. As letras parecem saídas das ruas, das angústias sentimentais e amorosas, e que penetram o espírito pelo dedilhar do piano. Que venham mais surpresas nas incursões musicais. Aceito sugestões e dicas dos amigos. Pode ser para a próxima incursão musical. Esta semana já devo voltas às locadoras, não para as séries, agora para reprisar filmes antigos. Espero ser novamente arrebatado, como fui diversas vezes nesta última incursão musical.

domingo, janeiro 13, 2008

Primeiras mudanças

Depois de muitos pedidos, veio escrever neste humilde blog. Primeiro queria agradecer à Erika e ao Eduardo os pontos de audiência. Muito obrigado. Este é praticamente o primeiro post de 2008. Todos já sabem os planos. Só que eu preciso concretizá-los. Já entrei na academia. Hoje foi o primeiro dia. Depois de um fim de semana fatigado, com dores por todo corpo, inclusive uma dor de estomago, pareço me acostumar a pegar peso.

Agora não tem mais como fugir, preciso me acostumar a Barreiras. É fato. O bom sinal é que reclamo menos do calor. Geralmente para puxar papo com os estranhos. Outro bom sinal. Já ando praguejando a política local. Tudo porque se aproximando das eleições, as únicas possibilidades são o atual prefeito, Saulo Pedrosa, e o antigo, Antônio Henrique, que nos últimos oito anos, saquearam a cidade. Apesar do visível crescimento econômico dos últimos anos, com a expansão das faculdades, e da estrutura do comércio, a infra-estrutura da cidade anda uma porcaria por causa destes prefeitos que nada fizeram. Já disse ao meu pai (só para chateá-lo) que vou continuar a votar em Goiânia.

Continuando, ainda não me adaptei à cidade. Já percebi que preciso fazer isto urgente, senão vou morrer de tédio. Não tem shopping, cinema, e principalmente os amigos para me tirarem de casa. Pensei que seria mais fácil. O que não tem remédio, remediado está. Então resta encontrar pessoas tão legais quanto, mas aqui em Barreiras. No mais, já comecei a minha academia, e quero andar à noite na avenida com a minha mãe. Pena que vou perder boa parte da novela das oito "Duas Caras". A finalidade é perder a pequena barriga, e diminuir um pouco a magreza (contraditório, mas é isso mesmo).

Quero ver se também consigo juntar uma grana, já que moro com os pais, e as tentações de cidade grande não existem. Talvez daqui dois anos me mudar para a África do Sul, ou então para a Venezuela. Além da academia a distração são os episódios de uma série de tv norte-americana, OC – um estranho no Paraíso. Estou no fim da primeira temporada, e pretendo assistir o restante. Na lista futura ainda estão a 1ª temporada de Lost, House e Herous. Estou na fase das séries de tv. Os DVD´s cinematográficos já passaram. Os livros também, depois que terminei com algum sacrifício Memorial de Aires do Machado de Assis.

Percebi depois do ano novo que o melhor é seguir em frente. Nada vai voltar como antigamente. E que agora, por escolha minha, a minha vida é por enquanto aqui, ao lado da minha família. Nada vai mudar isto. E quanto mais cedo perceber isto, melhor. Posso não estar inteiramente feliz. Sinto saudades dos amigos, dos ares de Goiânia, dos eventos, da independência. Nada que o tempo não cure... como já curou perdas mais difíceis.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

A espera pelo outro dia

Sem nenhuma razão específica, há momentos em que a solidão brota. Parece espreitar a alma, como as sombras que percorrem os vãos das casas, das florestas, dos postes na rua. Num mínimo momento de desatenção, lá vem ela, rápida, sorrateira, a lembrar que tudo aquilo que passou era ilusão. A avisar que a partir daquele instante, apenas a realidade nua e crua fará parte da sua rotina. A mostrar que a vida segue o seu rumo, e mesmo que a vontade de mudar seja grande, a força da solidão pretende tornar a vida imutável, como um motor perpétuo, sem previsão de acabar.

Deitado na cama, jogado como uma toalha, como daqueles boxeadores que perdem a batalha, penso vagamente em tudo o que passou. Desisto. Abro os olhos. Tento mexer a cabeça. Não consigo. Lá se vai mais meia hora a perdida a pensar no que se foi, ou mesmo no desconhecido. Pergunto, pra quê?

Não entendo nada da vida, e Deus me livre entender. Tudo tão complexo e amarrado. Quanto mais se tenta, mais se perde, entre as constatações de filosofias superadas a cada minuto. Ao invés da cama, a saída parece estar no sofá. A televisão, no automático, se movimenta a jogar uma parafernália de imagens, enquanto o som boceja palavras sem nexo. Queria estar longe, mas aqui estou eu, sem coragem para fugir. Do que adiantaria, se o problema maior está aqui, entrecortado entre a minha razão e o meu coração.

Pôr do sol - No final da tarde, a luz estranhamente entra com uma intensidade, a tentar responder as angústias. Já era tempo. Os raios descem devagar. As nuvens ajudam a esconder a tornar o céu alaranjado, mesclado com o azul do infinito. A busca de alguma resposta, para a insensatez de viver, ou da burrice de tentar entender a vida. E mais um dia se passa, sem que a resposta venha. Resta apenas tentar enxergar. Da sacada do prédio de três andares, fico a deslumbrar o espetáculo, até arder os olhos, como a perguntar. “Como pode este espetáculo acontecer?”.

Provisão divina. Força da natureza. Invenção humana. Loucura etérea. Os significados para aquele momento interferem diretamente na alma, a esconder a luz, a alarmar o início do recolhimento, e da solitude. Uma angústia ressoa no ar, ao balançar das folhas das árvores, dos fios elétricos e telefônicos, e principalmente, no assobiar desesperado das aves, que ao perceberem o cruel destino, se juntam e fogem, do inevitável. Debruçado desta vez sobre o parapeito da varanda, a observar os efeitos melancólicos do pôr do sol, resta apenas abaixar a cabeça. Sem asas para voar, fios para contorcer, e galhas enormes, para mostrar resignação. Somente resta, sem saída, esperar o outro dia.

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Curtas do blog - Quanta mudança

E quem disse que mudar é ruim? A verdade é que depois que me mudei, quase não parei em Barreiras. Para quê parar, não é? Ainda estou me adaptando. Se bem que este mês de dezembro será um mês estranho. É aquele clima de natal, misturado com fim do ano, e no final das contas, todo o mundo enrola e joga tudo para o próximo ano. Vou fazer isto também. Vou deixar para me acostumar em 2008.

Apesar de ter crescido em Barreiras, e vivido aqui por longos 17 anos, a verdade é que não conheço mais nada. Tirando os buracos e o calor que aumentaram. Não reconheço mais ninguém na rua. Não sei onde fica mais nada. E também não tenho vontade de fazer nada. Só tô a fim mesmo de trabalhar. eeheeeeheheheheh. Quem vê pensa. Mas é verdade galera.

Ao sair de Barreiras, fui para Goiânia para ir direto em São Paulo. Com a minha mochila vermelha nas costas, sai de Congonhas e fui para a referência: "Como faço para ir para a paulista?" De lá, fui de metrô ate o hostell, na São João.

- Eu gostaria de um quarto?
- Tá R$ 68, senhor.
- Isto tudo? Pensei que fosse mais barato (respondendo à atendente, pensando em uma alternativa viável).
- o sr. tem carteirinha de alberguista?
- Não tenho.
- Tem os quartos coletivos, sr.
- Quanto está? R$ 36.
- Como é que é?
- Normal. são quatro camas. Só que entra e sai os hospedes que vão acompanhar no quarto (não perguntei se teria perigo. Achei que ela fosse me achar muito do interior)
- Me dá este então ( e pensando "Seja o que Deus quiser)

Depois no msn com o Eduardo Sartorato
- Mas você não perde a sua privacidade?
- Pois é Eduardo. Nesta hora eu percebi que com privacidade é mais caro.

No final precisei usar o meu inglês para conversar com os colegas de quarto, Tom (inglês de Lonfres) e Graham (Irlanda). Uma comédia o meu inglês. Eu não entenderia. mas eles fizeram um esforço. Foram bastante compreensivos. Eu também. Saímos no sábado. Fomos com o Fellipe e com a Lorena em uma danceteria na Vila Madalena. Perfeito!!

No domingo pela manhã, fui de cara fechada para o café da manhã. Tava com uma dor de estomago e uma ressaca. Não comi pão. Fiquei na gelatina, goiabada, e leite com toddy. Aproveitei a minha cara fechada para não falar com seu ninguém. Também perdi o show da Diana Krall e o meu voo. Isto é uma outra história. Não aguentava mais falar inglês. No máximo um hello.. good morning. Segundos depois precisei me despedir em inglês. Ótima experiência.

Planos para restante de 2007:
- entrar na academia;
- tirar carteira de motorista;
- voltar à minha leitura de livros;
- assistir muito DVD;
- passar o natal e o ano-novo com a família;

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Sou o que sou

Isto é muito comum. Em algum momento, de repente, vem aquela pergunta. Passam dois segundos, não aparece nenhuma resposta; nem clara, muito menos concisa. Lembro bem, enquanto tirava a roupa da máquina, na apertada área de serviço, apareceu novamente o questionamento. Quais as atitudes e comportamentos que a gente precisa ter, dependendo do local e das pessoas.

Pode ser que isto possa ser comparado a uma espécie de etiqueta ou moral. Ou outra coisa que valha. Certos arquétipos, ou modelos, que devem ser seguidos. Tudo como as pessoas acreditam que devem fazer para se sentirem aceitas, seja no trabalho, em uma festa, no shopping, pelos amigos, colegas de trabalho e, até mesmo, desconhecidos.

Por exemplo, gostaria de ser considerado competente. Só que não basta ser. Muitas vezes é preciso parecer. Talvez se eu fosse com uma calça de brim, cinto preto, combinando com o sapato, camisa social, e com os cabelos bem cortados. E claro, não fazer piadinhas no trabalho, conversar o mínimo possível, e ter postura sempre ereta. Quando alguém fizer uma piada, rir apenas no canto da boca, consentindo a brincadeira, mas que de pronto informa. “Esta não é a hora correta”.

Ao mesmo tempo, em uma mesa de bar, fazer as pessoas sentirem próximas, e bem por estarem perto. As roupas podem ser aquela calça jeans rasgada no joelho, camiseta velha, tênis e aqueles cabelos, que de longe, parecem fugir dos cabeleireiros. Não importa. Ali, as atenções estão voltadas para que as pessoas se sintam bem. Muitos sorrisos, as cabeças se mexem, as brincadeiras parecem, à cada momento, mostrar atenção por estarem ali.

Impossível ser dois ao mesmo tempo. Acho que já fiz a minha escolha, anteriormente, ao persistir em não usar óculos, gostar de música baiana, fazer brincadeiras indiscretas, ou tentar sorrir nos mais variados momentos. Em qual momento fiz esta escolha? Não sei. Talvez eu ainda mude, aprenda outras coisas, mas prefiro continuar a andar sem saber estes pormenores na psiquê nada fácil de ser entendida. Paciência então. Continuo a estender as roupas. E quer saber? Depois eu penso nisto. Prefiro olhar a sacada os prédios, e a luz deste sábado de manhã.

Redescobri

Cobri minha vida de surpresa
Cobri quem está ao meu lado de companheirismo
Cobri a alma de insatisfação e angústia
Cobri as tristezas com o esquecimento
Cobri tudo que não queria ver

Descobri, ou melhor, redescobri neste último mês que é bom mudar
Descobri que às vezes é importante deixar tudo de lado para priorizar a vida
Descobri que devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance. Se o destino não ajuda, não há o que fazer, senão aceitar
Descobri que sou mais do que dizem
Descobri que sou melhor do que penso ser

(Re) descobri que saudade dói muito
(Re) descobri o quanto é bom estar em casa
(Re) descobri o quanto é bom se preocuparem com você
(Re) descobri o quanto faz bem se sentir amado
(Re) descobri o quanto faz bem amar

terça-feira, novembro 06, 2007

O início da continuação

A imagem, aos poucos, começa a congelar no tempo e no espaço. Lembrar daqueles tempos não me faz nada feliz. Sei disto. Preferi esquecê-los ou deixar guardados. Bem longe, em uma espécie de gaveta de esquecimento da memória. Pensando melhor. Aqueles tempos deixaram-me mais forte.

Não seria mais uma pequena colisão que me derrubaria. Deveria ser uma trombada. Aprendi em todo este tempo a não perder tempo, principalmente com aqueles que nada podem oferecer. Talvez este o motivo da reclusão. Ao mesmo tempo uma desculpa para sempre que possível estar rodeado dos amigos.

Como encarar tudo novamente então? Aqueles tempos se foram. Não existem mais. Aquilo ficou na memória. Na época, nem me preocupei em olhar tudo pela última vez. Só fui embora. Sem olhar para trás, e de uma forma sádica, com um sorriso no rosto. Não havia necessidade de lembrar de nada. O tempo e o espaço, e principalmente, eu, foram se transformando. Aqui estou eu, novamente, pronto encarar aquilo tudo novamente. Talvez o maior de todos os desafios.

Nesta nova mudança, tento olhar tudo pela última vez. O agito das ruas, o sabor de um fast-food, os olhares amigos, a expressão indiferente, gostaria de prender tudo ao mesmo tempo na memória. Algo me diz isto ser desnecessário, tanto que o espírito parece querer desobedecer a mente. Mesmo com o desejo, nada fica gravado como se fosse a última vez.

O que significa voltar? Não acredito que seja uma volta. Infelizmente ainda não estou preparado para encarar assim. Será uma continuação da minha vida. O início de uma continuação. Se assim posso dizer. Sem as responsabilidades de encarar o passado. Quero viver da forma como eu sempre vivi. Nem intensamente, nem apaticamente. Só de um jeito diferente. Apenas do meu jeito.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Machado blogueiro?!

"13 de julho
Sete dias sem uma nota, um fato, uma reflexão; posso dizer oito dias, porque também hoje não tenho que apontar aqui. Escrevo isto só para não perder longamente o costume. Não é um mau este costume de escrever o que se pensa e o que se vê, e dizer isso mesmo quando não se vê nem pensa nada".
(Machado de Assis, no trecho do livro Memorial de Aires)

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Um dos últimos romances de Machado de Assis, publicado em 1908, Memorial de Aires demonstra que o autor já vislumbrava a linguagem autobiográfica dos blogs, inclusive com as reflexões metalingüísticas acerca das técnicas de escrevinhar. Sempre à frente do seu tempo, Machado escreve em forma de diário de bordo, como qualquer um de nós, que se empolga, cansa, viaja, descreve, reflete, inspira, ou mesmo, como no trecho acima, fica dias sem inspiração, e escreve apenas para preencher o papel.

Ao narrar a vida da família Aguiar, e principalmente de Fidélia, Conselheiro Aires também descrevia a sua vida, e as suas muitas reminiscências quando voltou a morar no Rio de Janeiro, depois de longa jornada como diplomata em Portugal. Ao mesmo tempo, Machado (ou o próprio Conselheiro) criticava a sociedade da época, sempre com a sua fina ironia. Machado, por meio do Conselheiro Aires, pode ser considerado o mestre dos blogueiros, por quê não?

Trilha: Memorial de Aires, de Machado de Assis (1908)

quarta-feira, outubro 03, 2007

Template novo

Devido à problemas técnicos, houve uma mudança do template. Quando for sanado o problema, volto com o visual antigo.
Com a mudança, o humor do dono, que passa por uma pequena gripe, também mudou. E nos próximos dias, terá uma nova postagem, de um texto novinho em folha. Por enquanto fica somente a mensagem.
"A vingança nunca é plena, mata a alma e envenena"... Chavez, não do Hugo, mas do seriado mexicano.
Abraço a todos

quarta-feira, agosto 29, 2007

Alguém poderia me emprestar um cigarro?

segunda-feira, agosto 27, 2007

Escreva sem pensar... muito...

Já decidi não postar os comentários do tipo: “Até que enfim postou, né?” ou então “Atualiza... Atualiza...”. Blog é algo autoral. A gente posta na hora que dá vontade. Lembro que até escrevi um texto sobre o porquê de postar, intitulado “Reflexões de um sonolento”, que começava assim: “Amanhã eu preciso tirar este post horrível que está embaixo. Não que tenha ficado tão medonho e horrendo assim,mas porque não agüento mais vê-lo. Só é um incômodo. Mas então, o que escrever? Vamos pensar!!!”

Quando este blog foi criado, há exatamente no dia 08 de agosto, a idéia era montar algumas pequenas narrativas, de curtas viagens. Eram nas trilhas, naqueles trechos que enriquecem a alma e o coração, que eu gostaria de dividir com quem lesse o “Andarilho”. Poderia ser São Paulo, Brasília, Barreiras. Eu queria entrar em contato com um alguém, há muito tempo distante. Este era eu, perdido nos caminhos da Facomb [Faculdade de Comunicação e Bibliotecnomia da UFG], sem eira, nem beira, e o pior de tudo, sem saber que estava nesta condição.

Nunca fui ligado a crises existenciais. Confesso que sempre curava, e ainda curo, as minhas angústias de outras formas. Ou eu ia ao cinema, ia dormir, conversava potoca com os meus amigos. Talvez eu tentava jogava os problemas (os poucos que eu tenho, e tinha...) para debaixo do tapete. Podia ser. Mas também poderia ser uma forma de lidar com as angústias, que em suma todo o mundo tem.

Apesar de nunca contar algo diretamente sobre a minha vida, possuir um blog é sim, um ato de exposição. Escrever, por si só, é uma tentativa de libertar os preconceitos, as visões, angústias, problemas, ilusões, felicidade, seja lá o que for que estiver sentindo no momento. Então poderia apenas escrever e deixar lá no HD do computador, como às vezes sempre fiz, e ainda faço. Publicar. Tornar público as versões e os pedaços da vida serve como o reconhecimento, muitas vezes sagrado, da chamada alteridade.

Ao reler o meu texto no blog, sei que deixo uma parte de mim, uma contribuição, para que eu possa me entender. E talvez, possa ajudar as pessoas a se olharem da mesma forma, com uma certa compaixão pelo outro, já que é através dele, que a gente se reconhece. Acho que copiei isto de alguma aula de cinema... Ficou confuso? Em suma, o blog me ajuda a organizar as idéias, me força a agir e me impulsiona a olhar de forma mais crítica o mundo e a mim mesmo. Este é o meu espaço. E confesso. Não tenho pensado muito sobre no que escrever. Só o que vem na mente na hora que tem que ser. O resto,como dizem por aí, é resto. Então,hoje é só sentar e escrever sem pensar... muito.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Curtas do blog

Hoje acordei por volta das 9hs. Não tinha mais sono. A vontade era de dormir mais um pouco. Depois de 30 minutos, alguns pensamentos, nem um cochilo. Melhor levantar. Como estou sem livros novos, vamos aos velhos...

Meta do mês... Deixar de assistir aos seriados do SBT. E aos poucos, migrando para a Record. Ao menos na emissora do Edir Macedo, vou poder assistir, sem surpresas de mudanças de horários. Entre as melhores estão: Dr. House e CSI:Miami

Antecipando as perguntas.Não vou assinar TV à cabo. Sei que vou continuar a assistir às mesmas coisas que são transmitidas na TV aberta.

Terminei de ler a monografia da minha amiga Érika sobre as obras do Ruy Castro: Carmem e Chega de Saudade. Muito bem redigida, a monografia explica como o autor ajuda na formação de uma identidade cultural nacional. Ponto para Érika, ao explicar como as técnicas jornalísticas somadas a uma narrativa literária foram utilizadas pelo autor para que de forma consciente, ou não, pudesse entremear na opinião pública a sua visão de uma identidade cultural brasileira. Excelente o trecho em que descreve a voz autoral da obra de Ruy Castro.

Ontem à noite, pude rever alguns conhecidos na coletiva do senador Aloísio Mercadante. Tentei assistir a sua palestra, intitulada “A política econômica do governo Lula (2003/2006)”, organizado pelo Conselho Regional de Economia (Corecon) em homenagem à Semana do Economista. Sai de lá convencido que o governo Lula é o melhor de todos os tempos. Depois da coletiva, deveria ir embora, para assistir a novela das oito. Já faz um tempo que eu não assisto. Tudo é ficção, mas a novela é mais divertida.

Saiu o resultado da prova do Estadão. Não se dignaram nem a publicar o resultado na internet. Agora é encarar a dura realidade. Para morar em São Paulo, já planejo trabalhar de empacotador de supermercado, vendedor de bilhete de metrô ou atendedor de telemarketing. Com a possibilidade do adicional noturno, posso ganhar mais do que eu ganho como jornalista.

Semana que vem a família chega aí, para curtir a formatura de enfermagem da minha irmã Camila. A super-lotação também se dá, porque a minha prima Gisely, que mora comigo, vai formar em Direito. Então, que venham as festividades.... Os vizinhos que se cuidem...

segunda-feira, agosto 20, 2007

Abaixo a pseudo democracia

- O que você tá fazendo na rua, menino? Criança tem que tá na escola, e não na rua, procurando coisa errada pra fazer. Cadê seu pai?
- Me deixa em paz, tio...

Por cerca de cinco minutos, o diálogo, ou quer dizer, o monólogo era acompanhado por quem estava no ônibus naquele momento. Era por volta das 14hs de uma quinta. O calor e a falta de umidade faziam daquele ônibus um suplício. Se fosse algum vendedor de banana, água, ou bala, continuaria nos meus pensamentos. Em pé, sentado no ferro de sustentação, próximo à entrada, o homem não parava de falar. Estava em pé, a segurar minha mochila verde, sem nenhum tipo de movimentação, só aquela impulsionada pelo ônibus. Mantive a mesma posição, sem nem mesmo olhar a cena.


O que aquele senhor dizia não era apenas um soco no estômago daquele menino. Aquilo começou a me incomodar. Ele estava em pé, à porta. Não tinha mais de dez anos. Era magrinho, camisa grande e de bermuda simples. Esta é a única descrição que posso dar. Esta foi a minha única olhada na cena, que continuava.

- Vou te levar na delegacia de menores quando a gente sair. Você não tem vergonha de com esta idade, tá na rua, vagabundeando. Tem que estudar... prá ser alguém na vida. Ou você quer ser vagabundo...
- Ai meu deus. Me deixa em paz.

Em coro com o garoto, a minha vontade era de falar. “Deixa ele em paz. O mundo é democrático. As pessoas fazem o que elas quiserem e cala esta boca, que o sr. está incomodando”. Não o fiz, certamente. Apenas esperei que tudo se acabasse. Quando entrei no ônibus, aquele senhor já estava lá, encostado na parede oposta à entrada do ônibus. Como ele ia sair, no ponto da Avenida Goiás, no centro de Goiânia, o homem havia mudado para o lado do garoto, perto da porta, só que sentado no ferro de sustentação.

O senhor, com rosto de formato quadrado, já enrugado, cabelos curtos e já falhos, sugeria uma personalidade austera. Sempre com aquela cara de sério e compenetrado em alguma coisa. Não pensei, no entanto, que pudesse demonstrar esta característica de forma tão veemente. Eles saíram, e continuaram discutindo lá fora, enquanto o menino fugia. E de repente, em poucos minutos, refletia sobre a cena e o meu pensamento.

“Não será que o mundo está deste jeito, por causa desta pseudo-democracia, em que ninguém pode mais se meter na vida de ninguém. As pessoas se desrespeitam, batem umas nas outras, quebram as regras, roubam, furam fila, e o que as pessoas falam? Exatamente nada”. Tudo isto, muitas vezes, acontece ao nosso lado, e com a desculpa de que todos fazem o que lhe aprouverem, começamos a achar “tudo” natural.

Que mudança radical de pensamento, não é. Às vezes somos levados ao imediatismo das ações. De uma forma individualista, não queremos ser incomodados. Afinal, isto não é problema da gente, não é mesmo? Só que a minha vontade, cada vez maior, por exemplo, é começar a encher o saco daqueles que jogam lixo pelas janelas dos carros e ônibus, como estivessem na própria casa. Depois quando os carros ficam parados no meio das enchetes, ficam reclamando do poder público. Acho que nós, brasileiros, precisamos ser mais chatos, metódicos, sistemáticos, e intrometidos. Nem que incomode, assim como me senti incomodado naquele momento.


terça-feira, agosto 14, 2007

A hora certa de partir

Que sensação é esta que surge? Brota aos poucos, de forma sistemática, sem nem avisar. Como já estou esperto com esta vontade de mudar tudo, analiso racionalmente as primeiras conseqüências, e em uma audácia que toma conta dos mortais, também passo a analisar num futuro distante. Apesar dos pensamentos, não há como saber como uma mudança, seja ela simples ou radical, possa alterar, para o bem ou para o mal, os rumos da sua vida.

Como estas indagações não vão me fazer andar, ou seja, apenas angustiam ainda mais o cotidiano coberto de certezas, torna-se preferível pensar em razões práticas. A verdade, para mim absoluta, é que nada me prende. Posso mudar para São Paulo, Salvador, Rio de Janeiro, Londres ou Nova Iorque. E não sentiria nenhuma diferença perceptível. Continuaria andando em transportes públicos lotados, dormindo as minhas oito horas (ou até mais) tranqüilamente, trabalharia para sobreviver, leria os mesmos livros, sentiria as mesmas saudades, principalmente daquilo que não volta mais.

O que ainda estou fazendo aqui? Esperando a melhor hora de partir, preparando-me para a próxima viagem. E sem pensar muito no que deixei para trás. Até porque, a sensação é que nada do que passou me pertenceu um dia. Passou como aquele pássaro que voa em direção ao sol que se põe. Ou então como aquela cena em que tento, em vão, gravar na memória.

Da sacada do prédio, vejo alguém andando apressado, passos firmes, que apenas disfarçam a insegurança daquela nova viagem. Mochilas nas costas, o rapaz dobra a esquina, dá uma olhada para trás, como quem quisesse se despedir. Como não há muito tempo, ele olha para a frente, na direção que precisa seguir.

Este sou eu, novamente, olhando o “eu” que precisa fugir. Minutos antes, debruçava-me no parapeito da sacada, querendo lembrar de tudo desesperadamente, como em um filme, que avalia em um curto espaço de tempo, toda uma vida. Já dentro do ônibus, de volta para casa, esqueço tudo rapidamente. E tudo o que vem adiante é uma estrada limpa, pronta para ser percorrida, sem nenhum tipo de mágoa ou desilusão. Pronto para a próxima parada.

Livremente inspirado em uma crônica de Rubem Braga, incluída no livro “Ai de ti Copacabana”

terça-feira, julho 24, 2007

Top do Eixão

Sair de casa, ir ao terminal da praça da Bíblia (agora mais perto de casa), pagar os R$ 0,50, e disputar uma vaga entre os humanos para entrar nos bi-articulado do eixo Anhanguera, parece realmente uma batalha. Uma rotina, que a partir do último mês, passou a ter uma trilha sonora. Sem cantor ou banda, música ou propaganda pré-definida, escutar rádio parece mais adequado aos balanços do eixão. “Paga.. pa...pa...paga o IPTU. Tá muito caro prefeito”.

Para agüentar o transporte público em Goiânia, que beira a uma tragédia sem fim, só mesmo com um fone de ouvido. Depois do pen-drive quebrado, o disk man voltou à ativa. Como ele fica jogado dentro da bolsa, praticamente lacrado, preciso ter sorte para passar uma música que realmente eu curta. Um rock parece mais adequado ao movimento. “What I´ve done. I´ll face myself. To cross out”. Quando passa uma balada romântica, o jeito é olhar para fora. A sensação é a mesma de quando a gente está em um elevador lotado sem conhecer ninguém. “When you-re gone. The pieces of my heart are missing you”. O jeito é continuar a ouvir. Mas só com um fone. Assim como acontece com os intermináveis e gritantes comerciais de rádio.

Às vezes, andar no ônibus ouvindo música parece um clipe de música, mal feito, daqueles clipes da MTV, quando os cantores começam a carreira. Improvisados, daqueles que as pessoas passam na frente da câmera, sendo que alguns olham, e outros até, dão uma risada bem grande, e termina tudo com uma pessoa de braços abertos para o sol. Acho que aquela nova do skank cairia bem neste estilo de clip. “Uma canção é para acender o sol, no coração da pessoa. Para fazer brilhar como um farol. O som depois que ressoa”.

Se ouvisse rádio Terra FM, acho que teria esta mesma sensação. A qualidade do clipe, no entanto, seria pior. Em outros momentos, deixo de prestar atenção nas pessoas e na profusão de entra e sai, viro-me para a janela. E novamente, vem à cabeça aquelas cenas de novela, quando querem mostrar o cotidiano. As gravações sempre acontecem dentro de feiras, terminais de ônibus e no centro da cidade. No eixão, a novela nunca parece sair do subúrbio, apesar de passar pelos mais diferentes lugares, como o largo das rosas, pela avenida Goiás, e pelas periferias da cidade.

Dentro do ônibus, na feira, andando apressado pelo centro de alguma cidade, ou eu mesmo, dentro daquela bola que balança, ouvindo uma canção do estilo skank para os românticos, ou então, aquela nova da Fergie (rasga nega), que passou no Big Brother. “da da da da... I hope you know. I hope you know. That this has nothing to do with you”. Vou ouvindo a rádio Interativa Fm, porque é a hora do top 10, e como eles gabam em dizer, não tem muito comercial. E como não fico muito à vontade para abrir a mochila, tirar o disk man, e mudar o dial, o jeito é ouvir o que vier.

O importante é concentrar na letra, e esquecer o restante. Quando a letra é inglês, melhor ainda, tentar traduzir. Aquela nova do Akon parece tranquila. “Nobody wanna see us togetther, but it don´t matter no. Cause I Got you baby”. Quando alguém começa a gritar. “Olha a água. O copo é R$ 0,50 e a garrafa R$ 1,00. Olha a água”. Está bem, começou a parte do rap mesmo, aí não ia ter como concentrar na letra. Viro-me dentro daquela bola, que fica entre as articulações do eixo. Vou ficar olhando para fora mesmo. Às vezes ameaço a mexer os lábios, mas sem emitir nenhum som. Só para acompanhar o ritmo.

Acho que estou chegando ao ponto da cascavel, um ponto antes do terminal do Dergo. Acreditem, esta é a hora mais complicada, que precisa de técnica, experiência, e um pouco de falta de educação. Chegou a hora de sair do eixão. Nesta hora, a música da Ivete Sangalo parece bem adequada. Senão no ritmo, mas na letra. “Mas um dia vem, e deixo você ir. Deixo você ir... nannanana... Deixo você ir...”.

Quando eu saio, espraguejando até a 10º geração do povo que não sai da porta, começa a tocar aquela música da Banda luxúria chamada Lama. Também bastante adequada ao momento. “Volta, ou vai embora, meu amor. Sem ameaças ensaiadas na frente do espelho. O caminho mais fácil, nem sempre é melhor que o da dor”. Afinal, ir ao trabalho é uma relação de amor e de ódio.E de ônibus parece que a relação anda sempre complicada. Mas como ouvir música é justamente para não pensar em nada complicado. Vamos à música.... “Deixa acontecer naturalmente....”

Trilha: Eixo Anhanguera